O comércio externo, que também sofreu forte abalo com a crise financeira, apresentou melhoras no final de 2009. As exportações cresceram 3,6 % e as importações 11,4% no quarto trimestre do ano passado em relação ao trimestre anterior. No acumulado do ano, porém, as exportações e importações caíram 10,3% e 11,4%, respectivamente.
A informação é do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que divulgou nesta quinta-feira (11) o resultado do PIB do quarto trimestre do ano passado e também o do acumulado dos últimos 12 meses.
A economia brasileira teve queda de 0,2% em 2009, comparada ao ano anterior. O Produto Interno Bruto (PIB), a soma de bens e serviços produzidos no país em 2009, foi de R$ 3,143 trilhões.
No quarto trimestre do ano, o PIB cresceu 2%, em relação ao terceiro trimestre de 2009. Na comparação com igual período de 2008, o crescimento foi de 4,3%.
A resultado do quarto trimestre foi puxado pela indústria, que registrou expansão de 4%, seguida pelos serviços (0,6%).
No acumulado de 2009, a indústria (-5,5%) e a agropecuária (-5,2%) registraram as maiores quedas. O setor de serviços apresentou alta de 2,6%.
Setores - A crise financeira mundial causou uma mudança na participação dos setores que compõem o PIB. A queda de 5,5% da indústria, em 2009, foi o principal motivo da perda de participação da indústria no valor adicionado da economia brasileira.
A indústria, que representava 27,3% do PIB em 2008, passou a ter um peso de 25,4% em 2009. Já o setor de serviços aumentou seu peso no PIB, passando de 66,7% para 68,5% – aumento de 1,8 ponto percentual. A agropecuária teve um acréscimo de 0,2 ponto percentual de participação (de 5,9% para 6,1%).
Os serviços tiveram crescimento de 2,6% no ano passado. Setores como indústria e agropecuária sofreram quedas 5,5% e 5,2%, respectivamente. A área de serviços tem a maior participação na economia brasileira (68,5%).
A responsável pela pesquisa, Rebeca Palis explicou que os serviços são uma atividade mais local e sofrem menos efeitos externos, como a forte crise econômica iniciada em setembro de 2008. “O crescimento foi tímido em comparação com 2008, quando serviços cresceu 4,8%”.
Os bancos e as seguradoras contribuíram mais para o desempenho dos serviços (crescimento de 6,5%), seguidos dos serviços de informação (4,9%). Administração, saúde e educação pública cresceram 3,2%. Somente as atividades do setor voltadas para as áreas da indústria de transformação apresentaram queda no ano passado, uma vez que o segmento industrial teve um recuo forte de atividade.
Investimentos – Os investimentos feitos no país, a chamada Formação Bruta de Capital Fixo, apresentaram uma das maiores quedas em 2009 (- 9,9%), entre os setores pesquisados pelo IBGE. Foi a maior queda do setor dos últimos seis anos.
Por causa da crise mundial que foi sentida com mais força a partir de setembro de 2008, os principais componentes do setor de investimentos foram máquinas e equipamentos, com queda de 13,1%, e construção civil, que apresentou queda de 6,4%.
No entanto, segundo a economista do IBGE Rebeca Palis, os investimentos apresentaram recuperação no fim do ano passado, subindo 6,6% no último trimestre de 2009 em comparação com o trimestre anterior. Em relação ao quarto trimestre de 2008, a Formação Bruta de Capital Fixo subiu 3,6 %. (ABr) |